segunda-feira, 26 de julho de 2010

Mamãe na Justiça!


Quando tivemos a notícia da gravidez da Mamãe Dani a alegria foi geral! Ele era tão esperado a cada mês que passava que fica impossível dimensionar a felicidade que sentimos.

Mas alguns dias depois tivemos a noticia de que a Dani estava com flebite. Apesar de apreensivas, estávamos tranqüilas por que a flebite é comum nas grávidas. Minha mãe mesmo, em duas gestações, teve flebite.

O tratamento era simples: pernas para cima e compressas com água quente.

Lembro como se fosse hoje o calor insuportável do mês de fevereiro e a Dani com aqueles panos quentes na perna.

Passada uma semana, a idéia era que tudo já deveria estar melhor. Isso era o que os médicos diziam, mas não era o que a Dani sentia.

Ainda com dores, e agora nas duas pernas, iniciaram as idas ao hospital em busca de um tratamento ou uma explicação para o que estava sentindo.

Ignorando totalmente o que a mamãe Dani dizia estar sentindo, os médicos plantonistas afirmavam que era falta de caminhadas. Parece irônico neh?!?! Uma pessoa que estava proibida de andar muito, agora precisava andar!!!!

Pois é... não era irônico!!! Era erro de avaliação! Erro na avaliação do que a paciente estava sentindo... e imprudência em não pedir exames específicos!

A flebite tinha progredido para uma trombose. O tratamento era bem caro mas no início, seria de apenas alguns dias.

Iniciaram então as aplicações de injeções na barriga. Acho que ninguém consegue imaginar o sofrimento disso! Só quem vivencia mesmo...

As dores continuavam... e intensificadas e também com dificuldade para respirar, a Dani acabou sendo internada.

Acho que nunca vou esquecer o rostinho dela quando a Tita e eu chegamos no hospital na noite da internação! Depois de passar o dia todo nos hospital fazendo exames e etc, sem contar na demora no atendimento, ela acabou ficando por lá... depois de ter ouvido barbaridades da sua médica vascular, o medo de perder o Felipe era enooorme.

Mas a gente não podia deixar que o desespero tomasse conta da nossa amiga neh! E era isso mesmo! A vontade e a força para ficar bem foram maiores do que o desespero da doença!

Internada, estava em repouso absoluto! Mas aí começou o desespero por outra razão: o tratamento!

Enquanto estava internada, recebia a medicação necessária. Quando pudesse sair do hospital, o tratamento seria por conta dos papais.

O tratamento para esse tipo de doença é super caro. São duas ampolas diárias que custam R$ 140,00. Imagina isso multiplicado por 9 meses!!!! Pensamos em recorrer ao SUS mas.... essa medicação não é disponibilizada pela Rede Pública.

Iniciou-se então a batalha na Justiça.

Após algumas semanas internada a Dani estava na iminência de ter alta. Mas o que fazer com as injeções?

O Plano de Saúde negou a cobertura do tratamento da mamãe! ABSURDO!

O SUS não tinha disponível o remédio!

Os papais não tinham condições financeiras para arcar com tratamento tão caro!

O jeito foi propor uma Ação Judicial.

O direito à vida, à saúde e a uma existência digna é de índole Constitucional!

A nossa Constituição Federal garante que “a saúde é direito de todos e dever do Estado, garantindo mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação”.

Comprovada a necessidade do medicamento para a sobrevida da mamãe e do bebê e a impossibilidade de aquisição pelo elevado custo e tendo o Estado o dever de prover as condições para a saúde de todos, o pedido foi acolhido para o fornecimento gratuito das ampolas.

Com a liminar em mãos, ficamos nas mãos da Prefeitura! A burocracia é muuuuuuuuuuuuuuito grande! O prazo de cinco dias que eles teriam para fornecer a medicação se multiplicaria com tanta coisa pra providenciar!

Mas graças a boa vontade da responsável pela aquisição e fornecimento do remédio, abreviamos e muito esse tempo!

Hoje a Dani é privilegiada com o fornecimento da medicação que garante o seu tratamento.

Aliás, hoje é dia de buscar a terceira remessa! =)

Isso vale para todos! É dever do Estado garantir a saúde e a vida de todo cidadão.

Aqueles que não têm condições de arcar com os custos de um tratamento médico devem procurar o SUS. E caso a Rede Pública não tenha o medicamento que você precisa, procure o Judiciário!

Hoje ainda temos outra facilidade: o Juizado Especial da Fazenda Pública é novo e funciona muito bem. Aqueles que precisam e não têm condições de arcar com os custos de uma ação judicial e honorários de advogado podem procurar o Juizado Especial.

O que não pode, é deixar de procurar os seus direitos, por que eles estão aí para usufruirmos!!!!!

Um comentário:

  1. Amiga... Sempre me disseram, tenha um amigo advogado, um médico e um contador.... O contador, tenho meu pai, graças a Deus... o médico fica pra próxima vida... mas tenho uma uma bióloga e uma nutricionista e juntas, consigo extrair as ajudas necessárias... e GRAÇAS... Tenho você uma advogada competente e acima de tudo e o diferencial, MINHA AMIGONA... Sem vc. não sei o que eu faria.... VALEUUU POR TUDOOOO !!!!!

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